O que a rede americana de restaurantes Chipotle pode ensinar a Maria Brigadeiro?

Eu amo ler os relatos da Juliana Motter no Blog do Empreendedor, que faz parte do conteúdo para PME do site Estadão. Juliana, é jornalista por formação, mas resolveu abandonar tudo para criar a sua empresa exclusiva na confecção e vendas de brigadeiros gourmet. Graças a ela podemos ver esse upgrade nos brigadeiros de qualquer buffet aqui das redondezas. Faça o teste! Veja como a empresa conseguiu identificar uma oportunidade em algo tão simples.

Juliana Motter

Voltando ao assunto. Gosto dos post da Juliana, pois ela escreve com o compromisso de passar aquilo que realmente sente, vive… Não é conversa fiada, daquelas em que o sujeito se envereda nos jargões dos “profissionais em empreender” ! Aqueles sujeitos que amam aparecer em convenções para explicar como se tornou o maioral. Tenho asco dessa espécie de gente que só afaga o próprio ego. As aventuras de Juliana é uma fonte riquíssima para mim, apenas pelo fato de me deparar com  relatos do seu cotidiano e dos seus desafios.

Já tem algum tempo que vejo a relutância  da Juliana em expandir o seu negócio. Imagino a pressão. Ela diz receber centenas de e-mails todos os dias, de gente disposta a pagar caro para abrir uma espécie de franquia da Maria Brigadeiro. No inicio achei a relutância válida e racional. Não dá para sair por ai abrindo lojas de brigadeiro. Especialmente de um produto diferenciado como o ofertado por ela. Onde ficaria questões cruciais do negócio como a qualidade?  Não é para qualquer um fazer brigadeiros de chocolate belga Callebaut!

Entretanto, no seu ultimo post, intitulado : Quero ser grande? Juliana começa – no meu ponto de vista- a blefar com a sorte e o mercado. Ela de um certo modo desabafa e reflete sobre os motivos que a levam a querer permanecer com uma empresa pequena. Suas opiniões sobre as razões de um empreendedor passional são válidas. Contudo, onde fica o cliente?  Onde ficará o seu cliente  podre de rico que mora no Rio e que queria ter a simples comodidade de comprar brigadeiros by Maria Brigadeiro no Leblon? Campos do Jordão? Brasília?

Dar certo também é trabalhoso! Manter a essência que culminou no sucesso da empresa é ainda mais trabalhoso. Mas Juliana sabe que não tem outra. Terá que abrir mais lojas se quiser permanecer de pé. Vendo este interessante caso lembro-me  de outro bastante semelhante e que seria uma boa lição para Maria Brigadeiro. Trata-se da maior rede de comida mexicana do mundo: Chipotle.

Steve Ells, fundador da rede Chipotle.

O case Chipotle tem muito a ensinar, pois a empresa foi fundada por Steve Ells, um chef recém formado na  Culinary Institute of America. Logo a preocupação de Steve na qualidade sempre foi o maior trunfo da rede . Ao contrário de Juliana, Steve não titubeou em abrir novos pontos de venda. Sua preocupação com a qualidade transformou a Chipotle no restaurante fast casual. Foi a primeira rede de comida rápida que conseguiu adicionar qualidade à comodidade. Seus produtos são orgânicos, tudo é baseado no slogan da empresa: ” Food with integrity” . Steve ainda  mantem o habito de visitar as fazendas que criam os porcos. Porcos que serão as carnitas nos burritos da América.

Não é fácil, mas não é impossível! Crescer com a  manutenção de qualidade não pode ser visto como impossível. Steve fez a Chipotle crescer e não perdeu o seu amor pelo negócio.  Eu gosto de crer que Juliana na verdade não se sente preparada para isso. Seu sonho inicial não era ter a maior rede de brigadeiros gourmet do mundo, mas o mercado é assim mesmo. Ela poda sua pequena lojinha como um jardineiro japonês poda um bonsai.  Se Juliana não entender o mercado e não confrontar com a realidade, poderá terminar como as casas de quesadilla que inspiraram Steve. Estas casas vendem uma autêntica comida mexicana, mas quantas ainda existem em San Francisco ?

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Bad Feeling!

Sem título

Eu não gosto de escrever sobre algo que não conheço bem. Perturba-me a ideia de vomitar opiniões sobre assuntos que pouco compreendo ou que pouco conheço. Inovação é um deles. Esta bendita INOVAÇÃO está em uma gavetinha no meu cérebro sobre : coisas que devo estudar mais! Ela é linda e  todos a admiram muito. Entretanto, a dita se comporta como uma sereia, que encanta as mentes humanas e depois afoga uma por uma. Poucos são os sobreviventes.

Essa ideia de entrar na inovação de cabeça é muito perigosa para todas as empresas. Ela funciona como uma droga e o circulo vicioso começa. A cada rodada de sucessos com ela, desencadeia uma demanda por mais e mais inovação …..ad ifinitum!  O ciclo se torna exponencial quando combinado com mentes brilhantes – caso da Apple e seu gênio Jobs. E ai a coisa se torna interessante. Sei pouco sobre inovação, mas sei que há uma corrente de pensadores que afirmam que a cultura inovadora, em determinado ambiente, não é assim tão fácil de se criar e mais difícil ainda de mantê-la.

Quando soube pela TV da morte de Jobs, me fiz o questionamento que meio mundo fez: A Apple vai manter o pique?

E o pressentimento não foi nada bom. Eu não posso falar de pressentimentos, pois, quem me conhece, sabe que sou um pessimista em 90% dos casos, e com o efeito do tamanho do viés pessimista em mim,  resolvi guardar isso na minha não tão boa memoria! É por isso que amo história. O tempo passa e aos poucos o cenário vai se formando e quando você menos espera  o pior já aconteceu. No dia 25 de janeiro deste ano, a Apple perdeu o posto de empresa mais valiosa do mundo para a Exxon Mobil. Não é lá grande coisa, mas um olhar atento percebe que a companhia tocou o “céu” , ou chegou no seu ápice de desenvolvimento. Isso pode vir a confirmar a análise de Larry Greiner, renomado professor americano, que em seu artigo :  “Evolution and revolution as organizations grow ” (“Evolução e revolução à medida que a organização cresce”, em uma tradução livre), publicado na Harvard Business Review, demonstra de forma simples, que a empresa só se mantém – detalhe no verbo manter- ao resolver os problemas que aparecem a medida que cresce.

Para Greiner, há simplesmente 5 crises/fases, que a empresa pode passar em relação a resolução de problemas. Se a empresa não se sair bem, perderá a relevância no mercado e /ou morrerá. Na ultima fase, quando a empresa se encontra na fase madura, Greiner deduziu que haveria uma grande crise. Ele não conseguiu dizer, de uma forma incisiva,  qual seria essa crise numa referencia ao “Crisis of ?” do gráfico abaixo.  Gráfico de Larry E. Greiner

Greiner chutou que essa ultima crise seria referente a falta de inovação nestas organizações. Uma consequência do seu tamanho e complexidade, que as deixaram com sistemas rígidos, um verdadeiro perigo para a inovação.  Ele viaja fazendo referência a  “psychological saturation” dos empregados. Para Greiner, os empregados destas empresas precisam passar por uma revitalização para serem estimulados.  Não acho que ele tá errado neste ponto, só acho que é apenas um dos problemas.

grafico

E o que a Apple tem a ver com isso? Tudo. De acordo com o artigo de Greiner, a Apple poderia se encaixar na fase 5, e por conta disso, corre sérios riscos. Podemos constatar esse cenário na ânsia dos investidores em novidades por parte da empresa. Tim Cook não vem conseguindo animar os ânimos de Wall Street , mesmo prometendo novos lançamentos para o fim deste ano e 2014, na vontade de encher o caixa e distribuir dividendos. O que se vê é que os investidores não estão tão confiantes assim e  após as constantes quedas do índice: price-earnings, que mede a relação entre o preço das ações e os lucros, a empresa começa a se encaixar no meu mal pressentimento : No Jobs. No Apple!

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MOTIVAÇÃO !!!

ai ai …. Como é triste abandonar um blog! Não recomendo a experiência para ninguém.  Ao deixa-lo de lado, você se sente a pessoa mais frustrada do mundo . E essa frustração é a cereja no sundae de frustrações pessoais . É deixar de lado um compromisso com você mesmo. Além do compromisso com os seguidores que foram surgindo com o tempo.

Ao meditar sobre  o motivo deste desleixo com o blog , concluo que trata-se de um problema de cunho motivacional. A motivação é a força motriz de um blogueiro! É ela que dá força para que eu sente, escreva e compartilhe ideias, que para mim, são tão importantes que devem ser compartilhadas e debatidas. É algo difícil e aberto. Um blogueiro está na defensiva. Sempre se expondo e à mercê de qualquer um que simplesmente abra um link do meu blog.

Isso se torna um peso na falta de motivação. Não existe mais a motivação dos primeiros posts. A rotina do dia dia me toma e me sinto longe e distante de problemas que antes discutiria com uma empolgação sobrenatural. Não quero continuar a escrever sem um rumo, um foco. Meu blog ficou abrangente demais….. Isso me deixa confuso e desmotivado.

Aos meus amigos leitores, digo que nos próximos dias pensarei em algo que me traga a motivação tão preciosa. Se a dita cuja não aparecer, não terei escolha ….. o leitor entenda!

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Facebook e sua morte já marcada!

É incrível a similaridade e a quantidade de informações pessimistas a respeito da maior rede social do mundo. São previsões como “desaparecerá em 8 anos….” ou  “terá o mesmo fim que o myspace.com” !

Sei que foi exagerada a avaliação do Facebook no seu IPO, foi uma prova de que o mercado ainda guarda uma certa esperança para a companhia. É meio sem lógica! Como uma empresa como o Facebook pode valer 100 bilhões de dólares? Não há sentindo. Se a empresa no seu ultimo exercício conseguiu um lucro de “apenas” 1 bilhão. Pelo pouco que sei, deve-se adotar uma regra simples e genérica no mercado, onde a empresa é avaliada pela projeção dos próximos dez anos de lucro. Logo o Facebook deveria valer algo em torno de 10 a 11 bilhões e não 100!

Tudo  isso se deve pelo fato dos investidores acreditarem que o futuro é do Facebook, que a empresa guiará nos próximos anos as revoluções no mundo virtual. Aquela velha história da rede dentro da rede. Não ouso dizer que Zuckerberg não poderá fazer tal revolução, já que o cara é dominador e meio megalomaniaco como Jobs. Sua ambição ainda não foi possivel de ser calculada e muita coisa ainda esta por vir….

Só que a companhia já inchou e aglutinou, e após um comentário de Jeffrey Cole, nada mais nada menos do que o cara que previu a queda do myspace, as previsões já começaram. Cole afirma que com o Facebook a queda será mais lenta e o final será uma rede fragmentada!

O analista Eric Jackson, fundador da Ironfire Capital, foi mais especifico ao falar para a rede americana CNBC :“Dentro de cinco a oito anos ele vai desaparecer do mesmo jeito que o Yahoo” O analista afirmou ainda que o Facebook assim como as ultimas grandes empresas não será capaz de acompanhar a internet móvel.

Se daqui a 10 anos o Facebook estiver valendo apenas 10% do que vale hoje, será apenas o seu valor justo!

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Amazon e seu segredo não tão secreto assim…..

Foto tirada esta semana, onde Jeff Bezos aparece com Anna Wintour ,editora chefe da Vogue americana e ao lado da estilista Muccia Prada.

Sabe qual o segredo da Amazon? Venda o que todos querem comprar! É simples, e sem muita embromação. Tenha medo de coisas muito complexas. As vezes me sinto como um velho conservador, mas meu conforto vem em frases sabias como a dita nesta semana pelo velho Warren Buffett: “The chances of being way wrong in IBM are probably less, at least for us, than the chances of being way wrong in Google or Apple,”

Viu, é simples. Buffett não gosta nem um pouco do fato de colocar dinheiro em uma empresa onde ele e seu pessoal não entendem de forma global o modelo de negocio. Sei que é fácil entender o modelo de negocio da Apple, mas Buffett sabe da linha tênue que a empresa de Steve vive. Sabe que o ambiente do setor de alta tecnologia é rápido demais, perigoso demais.

Jeff Bezos que para mim é atualmente um dos maiores gênios vivos do mundo dos negócios, depois da morte de Steve Jobs, é totalmente guiado por preceitos simples como  o de Buffett. Ligar os pontos é fácil. Se o mercado de roupas na internet é o terceiro nos EUA, e a tendência é aumentar no mundo inteiro, não há o que pensar. Bezos não deixaria que tamanha oportunidade passasse em branco.

Jeff me faz lembrar daqueles filmes sci-fi como Guerra dos Mundos, onde os aliens sempre migram de planetas onde todos os recursos já foram escassos. Ele busca manter a dominância do mercado, não importando no que isso acarretará no seu atual modelo . Ainda mais quando o setor, como o da moda, lhe dá a oportunidade de uma margem de lucro muito maior que em um cd ou livro!

myhabit.com já está no ar e segundo o New York Times são tiradas mais de 3000 fotos de artigos por dia . Tudo sem muita preocupação com orçamento. Se Bezos não tá se importando com os atuais prejuízos do site, por conta dos fretes grátis e das enormes despesas é porque sabe muito bem que o negocio é um dos caminhos que levará ao futuro da Amazon. Para Bezos a compra da Zappos não foi suficiente para o tamanho e potencial do mercado da moda.

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3º Revolução Industrial. Eu já estou pronto!

Acho engraçado como as coisas mudam e como tudo nos últimos anos parece estar retrocedendo, só que de uma forma mais racional e melhorada. Digo isso porque sou uma pessoa, digamos, meio chata! Assumo. Gosto das coisas do meu jeito. De opinar sobre tudo, do layout do supermercado até a tampa de uma garrafa pet de refrigerante. Quando encontro um produto que me surpreende e facilita a minha vida eu chego a me arrepiar!

De fato o mundo esta mais “maleável” . Tudo, ou quase tudo pode ser inventado e nós consumidores, queremos sempre o melhor. Queremos tudo do nosso jeito e tenha a certeza de que num universo de 7 bilhões de pessoas, é bem provável que outros também queiram o que você quer!  Welcome to the third industrial revolution.

A reportagem de capa da revista The Economist desta semana ( clique aqui para lê-la ) fala sobre esse fantástico mundo da digitalização dos produtos. É meio bizarro, mas imagine que num futuro não muito distante, você poderá criar um modelo em 3D de um produto, imprimi-lo e até vender o projeto, que poderá ser baixado e impresso do mesmo jeito que você fez.

Quase 20 mil unidades vendidas em apenas 155 dias!

De acordo com a reportagem a personalização da manufatura criará um movimento de dispersão da indústria, de modo que não mais será necessário comprarmos quase tudo da China. Como muitas fábricas não dependerão mais de mão de obra em grande escala e barata, estarão localizadas próximas aos centros de consumo.  Especialistas em determinados produtos terão sua produção na garagem de casa. Algo que remete ao periodo pré Revolução Industrial, onde os artesãos em suas casas faziam as encomendas.

A reportagem fala da conversão das tecnologias para o avanço da produção sob medida. Os materiais estão mais resistentes e baratos. A mão de obra pouco especializada é que irá ser prejudicada. O artigo afirma que as pessoas serão empregadas mais na área de criação e tenta não enxergar as consequencias dessa revolução. Para mim não é nada viável manter 15 mil pessoas apenas no P&D de uma empresa! Não quero entrar nesse assunto. São muitas as consequências desta terceira revolução .

The economist foca apenas na manufatura, porém, a meu ver a revolução é num patamar maior. É numa ideia de como satisfazer as necessidades humanas. Olhando por esse ângulo, o que vemos é uma mudança não só na indústria e sim em todos os setores. Acontece que na indústria está sendo a ultima e de fato a que irá consolidar tal movimento. Lembro-me de um artigo na exame que falava sobre medicamentos criados especificamente para um determinado DNA! No supermercado será possível comprar um shampoo que melhor combine com a carga genética especifica do nosso cabelo. Sei que é futurista demais, mas a ideia é essa.

O inventor Jake Zien já ganhou $273,014.20. Apenas 1 mês para desenvolver o produto!

Outro ponto que o artigo não mencionou e que para mim é de extrema importância é o fato de finalmente a inteligencia coletiva ser canalizada para o aperfeiçoamento dos inúmeros produtos que usamos. É como diz aquele velho ditado: “Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo”! Lembro da patente que uma dona de casa teve ao criar um escorredor de arroz. Ela ganhou um belo dinheiro por algum tempo com os royalties. Não devemos subestimar a capacidade de resolver problemas de ninguém. Nem mesmo de uma dona de casa.

Em Nova Iorque já existe uma empresa chamada Quirky, que desenvolve produtos com base  na aceitação dos protótipos na rede social da empresa. Você cria um produto ou a ideia do mesmo e manda para avaliação da comunidade. Se a ideia for aprovada, ela passa para a chamada fase “séria” do processo. Nessa fase entram os engenheiros, designers , publicitários e assim, após as vendas o criador ganha uma parte pelo número de produtos vendidos. Veja abaixo um vídeo legal da Quirky!

Que fábrica na China poderia colocar no mercado uma capa para o novo Ipad em 4 dias? A Shapeways fez isso. Que venham as impressoras em 3D , a laser e o escambau . Como consumidor, já estou pronto!

Por coincidência hoje vi no site da fastcompany uma máquina que fabrica peças de chocolates em 3D . HUMMM!

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Unimed Maceió: entre vidas e custos!

Meu plano não é Unimed e quero dizer, antes de começar o post, que não se trata de nenhuma queixa pessoal. Mesmo podendo usar este espaço para tal , acho que o que vale é a lição que podemos tirar do brutal sistema capitalista e suas aberrações.

Esta semana vi que o Ministério Público Federal em Alagoas ingressou com uma ação civil pública contra a cooperativa Unimed Maceió. Pasmem. Isso foi necessário, pois, a cooperativa estava determinando quotas anuais de exame especiais e até procedimentos imprescindíveis como a radioterapia são negados sem uma justificativa plausível. Indo de encontro as recomendações dos próprios médicos conveniados.

Conheço dezenas de amigos que reclamam da prestação de serviços da Unimed. A péssima fama que o convênio criou é de espantar. Pagar altas mensalidades e esperar por horas é fonte de revolta . Que a cooperativa em Alagoas nunca passou por bons momentos financeiros é do conhecimento de todos. E de 2010 para a cá, com o movimento da Unimed Nacional de garantir alta rentabilidade e maior profissionalização, percebe-se que a os valores “operacionais” e empresariais estão se sobrepondo aos direitos dos consumidores.

“Toda essa restrição baseia-se tão somente em critérios operacionais, que são provavelmente guiados por um senso egoístico e distorcido de economicidade, onde a saúde, que deveria galgar patamar de destaque, cede espaço pela busca do lucro exacerbado.”  Niedja Kaspary – Procuradora da República /MPF- AL

Não quero julgar a Unimed, pois apenas imagino a complexidade de manter um sistema tão grande e complexo como este. Sei que a Unimed tem seus deveres para com os médicos , fornecedores, enfermeiros. Entretanto, será que  negar uma sessão de radioterapia é necessária para manter uma rentabilidade aceitável? Será que os custos estão acima da vida?

A racionalização deve ser o norte de qualquer instituição séria. Antes de números a organização deve ter noção da responsabilidade que lhe foi atribuída. Para mim, colocar as vidas das pessoas em primeiro lugar é uma opção mais que racional, especialmente para a Unimed!

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Avon e o perigo de ignorar a realidade ! Ou a síndrome do império ?

Grandes empreendedores e líderes são enfaticos e até certo ponto repetitivos em afirmar que a realidade deve ser enfrentada, independente de quão feia ela é. Gosto especificamente de uma das frases de Jack Welch : “Encare a realidade como ela é. Não como ela foi e nem como você gostaria que ela fosse”. É simples, mas o ser humano é um bicho que na maioria das vezes deixa-se vencer pelos medos e cria esperança aonde não há.

Esperança. É essa a palavra de ordem entre os acionistas da AVON nos últimos dias, com o inicio da gestão da nova CEO  Sheri McCoy. Ex-vice presidente da  Johnson & Johnson, Sheri tem a missão de salvar a Avon, que se encontra em um cenário antes nunca visto desde a sua fundação em 1800 e cacetada.

Se você pegar uma revista da Avon e ver a quantidade de produtos, vai se dar conta de que o negocio realmente é problemático. Gandres empresas do setor mantem uma linha de produtos enxuta e de grande apelo ao público. A Natura por exmplo, desenvolve novos produtos, mas de um modo mais contido e sempre tirando de linha os antigos com pouca margem de cresimento. A Mary Kay mantem produtos em apenas 3 segmentos e todos podem ser contados nos dedos. Nessa semana ao folhear a revista exclusiva das revendedoras, vi uma colônia que minha vô usava quando eu tinha uns 10 anos. O nome dela é Cristal. Na revistinha diz que se a pessoa quiser , pode pedir para a revendedora e ela irá fazer o pedido!  Não há cabimento manter um produto com uma margem tão baixa e sem menor apelo de mercado…..

Gosto de encarar o declínio da Avon como o do Império Romano. A sua grandiosidade foi o que realmente contribuiu para a sua queda. A Avon está em dezenas de países e sempre com centenas de produtos diferentes. Quer abraçar todo o mercado porta a porta. Repudio a estratégia da mesma de querer vender outros artigos , como panelas e sapatos. A empresa perde o foco e entra na linha perigosa da margem curta. A operação fica pouco rentável com tamanha gama de artigos. 

Não a toa , em 2005 , Andrea Jung iniciou um processo de eliminação de linhas pouco rentáveis na busca de margens maiores e assim estancar a vazão que corroía todo o lucro da companhia. Não adiantou e em 2011 a Avon registrou uma queda de 5% nas vendas nos Estados Unidos. Contribuindo para um prejuízo de 241 milhões de dólares em toda a América do norte.  Junto ao mau desempenho nos últimos anos a Avon viu sua imagem centenária manchada pela investigação de SEC ( CVM ” americana”) a uma possível liberação de informações sigilosas à alguns investidores e ao suposto suborno para autoridades chinesas.

Todos no mercado apontam as ultimas evidencias como cruciais para a saída de Andrea Jung do posto de CEO. A empresa que em junho de 2004 valia cerca de 21,8 bilhões de dólares,  hoje é avaliada pelo mercado entre 8 e 12 bilhões de dólares. Tamanha queda levou a uma investida da fabricante de perfumes Coty. A companhia francesa apresentou uma proposta de “apenas” 10 bilhões de dólares pela companhia o que foi visto como ofensivo pelo conselho da Avon. Após  recusar a oferta, as ações tiveram uma pequena alta e deu inicio a muitas especulações. Na ultima sexta sai no mercado um boato de que a Natura estaria interessada em fazer uma proposta para adquirir a gigante mundial.  Tal fato foi logo descartado por Alessandro Carlucci, diretor-presidente da companhia.

Sheri McCoy terá muito trabalho pela frente, e que seu destino não seja como o do imperador Rômulo Augusto, que viu o império herdado cair em ruínas!

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Nivelando por cima!

“No prazo de duas semanas, a Amazon decidirá afinal, quando inicia sua operação de e-commerce a partir do Brasil.” Ao ler isso num artigo do site Veja.com, fiquei contente. Já que, concorrência sempre é bom…..especialmente num mercado bagunçado como o brasileiro e melhor ainda quando se fala de Amazon!

A matéria diz que a Amazon pode mudar a cara do e-commerce. É obrigação de jornalista ser pragmático a esse ponto e supor uma possível mudança no setor. Que bom que sou blogueiro! Posso me arriscar e afirmar que para mim, a mudança é mais que certa. Devemos ser realistas. Hoje temos como líder do setor uma empresa chamada Americanas! A minha mãe e as minhas avós amam as Lojas Americanas! Lá tem de tudo um pouco e sempre por um preço popular. As filas são um inconveniente à parte , mas nada que as tirem do sério. 

Agora, se você perguntar a um colega meu o que ele acha da Americanas…….Hum , você pode até se arrepender disso. Não é difícil encontrar alguém desiludido e até certo ponto revoltado com a loja online. Procure entre os seus familiares que compram pela internet e tenho a certeza que encontrará alguma história de sufoco , um verdadeiro calvário para receber apenas por aquilo que comprou.  Não por acaso a Fundação Procon esse ano determinou no dia 15 do mês passado, a retirado do ar dos sites da  companhia B2W (Americanas.com, Submarino e Shoptime). De acordo com o órgão, o número de reclamações contra as empresas do grupo tiveram um aumento de 180% entre 2010 e o ano passado! A maioria por falta de entrega dos produtos!

Por maior que sejam os gargalos de infraestrutura brasileiros e por piores que sejam as trasnportadoras do Brasil. Afirmo que a Amazon tratará com seriedade o mercado. Tá na cultura da organização. Jeff Bezos sabe do poder da maior arma do consumidor desde   os Fenícios: a propaganda boca a boca. 

A logica é simples. Me engane e te odiarei com todas as forças. Pior ainda, irei disseminar a minha raiva para todos em meu circulo de convivência. O mesmo também se dá ao contrário. Philip Kotler em seu livro “Administração de Marketing” cita os consumidores “discípulos” , que espalham a “Boa nova” após uma experiencia que superou suas expectativas. E a Amazon é expert  em superar as expectativas. Não importa quanto custará um centro de distribuição totalmente automatizado , se o mercado valer a pena , será feito. No fim de tudo, o que importa é que o mercado seja nivelado por cima.

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Danone subestima o poder do Crowdsourcing !

As organizações nunca mais serão as mesmas depois das redes sociais. Disso todos temos a absoluta certeza. O poder de disseminar opiniões e botar a boca no trombone ganhou dimensões, que dependendo do apelo, podem rodar o mundo e futucar na ferida aberta de qualquer empresa.

Porém, o lado bom sempre existe, e as informações dos consumidores de qualquer lugar no mundo podem revolucionar um setor. Bem vindo ao maravilhoso mundo do Crowdsourcing. O termo vem da junção das palavras inglesas crowd ( multidão) e source (fonte). Logo, é a utilização da chamada inteligencia coletiva, para a resolução de um problema ou a criação de um novo produto. O termo se tornou popular após uma matéria da famosa revista americana Wired em 2006 com o titulo “The Rise of Crowdsourcing”  escrita pelo jornalista Jeff  Howe.

De lá para cá, muita coisa mudou, e a ideia de ter uma contribuição coletiva para a resolução de problemas é algo sem volta. Se você estiver lendo este post em um navegador Firefox, deve saber que o mesmo foi construído com o auxilio de programadores de todo o mundo. Produtos criados com base no modelo crowdsoursing tendem a serem bem aceitos e sempre estão em constante atualização. Quem nunca deu uma olhadinha no Wikipedia? Quem nunca ouviu falar nos carros da Fiat que foram criados a partir de sugestões? Nas ações promocionais para a escolha do novo sabor de Fanta ou das batatas Ruffles?

Já existem até sites especializados em divulgar os chamados “desafios”. ( No brasil o mais famoso é o battleofconcepts.com.br e no mundo o mais famoso é o  site innocentive.com) Onde as empresas interessadas em novas ideias , resoluções de problemas e até a cura de doenças, divulgam em tais sites os tais “desafios” e as melhores ideias são premiadas em dinheiro ou mesmo com um emprego .

A starbucks ao ver a necessidade de um canal que seja muito mais eficiente do que aquela velha e repugnante caixa de sugestões , criou em março de 2008 o mystarbucksidea.com. No seu primeiro ano de funcionamento chegou a receber mais de 75 mil sugestões para as suas lojas e produtos. No  ambiente o consumidor não só pode mandar uma sugestão como votar nas que considera as melhores. Uma das grandes ideias implementadas através do site foi o Starbucks Vip Card….o nome já diz tudo.

Contudo, hoje fiquei um pouco espantado. Diante de uma abertura tão grande das empresas ao movimento crowdsoursing, fiquei sem entender como o consumidor e suas opiniões são tão subestimados. Em 2010, a Danone lançou uma edição limitada do Danette Ovomaltine e só depois de muitos pedidos pela internet foi que a empresa reformulou a sobremesa  incrementando os famosos flocos do Ovomaltine.

HÃ? Como assim? Foram necessários 2 anos para lançar algo que eu e meio mundo de gente também quer disponível agora? Acho que a empresa deve ter a noção de que dois anos são mais do que suficientes para que num cenário hipotético uma Nestlé da vida criasse o que realmente os consumidores querem! Fica uma lição. Não subestimar o poder da multidão…..

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