Arquivo da categoria: Estratégia

Bad Feeling!

Sem título

Eu não gosto de escrever sobre algo que não conheço bem. Perturba-me a ideia de vomitar opiniões sobre assuntos que pouco compreendo ou que pouco conheço. Inovação é um deles. Esta bendita INOVAÇÃO está em uma gavetinha no meu cérebro sobre : coisas que devo estudar mais! Ela é linda e  todos a admiram muito. Entretanto, a dita se comporta como uma sereia, que encanta as mentes humanas e depois afoga uma por uma. Poucos são os sobreviventes.

Essa ideia de entrar na inovação de cabeça é muito perigosa para todas as empresas. Ela funciona como uma droga e o circulo vicioso começa. A cada rodada de sucessos com ela, desencadeia uma demanda por mais e mais inovação …..ad ifinitum!  O ciclo se torna exponencial quando combinado com mentes brilhantes – caso da Apple e seu gênio Jobs. E ai a coisa se torna interessante. Sei pouco sobre inovação, mas sei que há uma corrente de pensadores que afirmam que a cultura inovadora, em determinado ambiente, não é assim tão fácil de se criar e mais difícil ainda de mantê-la.

Quando soube pela TV da morte de Jobs, me fiz o questionamento que meio mundo fez: A Apple vai manter o pique?

E o pressentimento não foi nada bom. Eu não posso falar de pressentimentos, pois, quem me conhece, sabe que sou um pessimista em 90% dos casos, e com o efeito do tamanho do viés pessimista em mim,  resolvi guardar isso na minha não tão boa memoria! É por isso que amo história. O tempo passa e aos poucos o cenário vai se formando e quando você menos espera  o pior já aconteceu. No dia 25 de janeiro deste ano, a Apple perdeu o posto de empresa mais valiosa do mundo para a Exxon Mobil. Não é lá grande coisa, mas um olhar atento percebe que a companhia tocou o “céu” , ou chegou no seu ápice de desenvolvimento. Isso pode vir a confirmar a análise de Larry Greiner, renomado professor americano, que em seu artigo :  “Evolution and revolution as organizations grow ” (“Evolução e revolução à medida que a organização cresce”, em uma tradução livre), publicado na Harvard Business Review, demonstra de forma simples, que a empresa só se mantém – detalhe no verbo manter- ao resolver os problemas que aparecem a medida que cresce.

Para Greiner, há simplesmente 5 crises/fases, que a empresa pode passar em relação a resolução de problemas. Se a empresa não se sair bem, perderá a relevância no mercado e /ou morrerá. Na ultima fase, quando a empresa se encontra na fase madura, Greiner deduziu que haveria uma grande crise. Ele não conseguiu dizer, de uma forma incisiva,  qual seria essa crise numa referencia ao “Crisis of ?” do gráfico abaixo.  Gráfico de Larry E. Greiner

Greiner chutou que essa ultima crise seria referente a falta de inovação nestas organizações. Uma consequência do seu tamanho e complexidade, que as deixaram com sistemas rígidos, um verdadeiro perigo para a inovação.  Ele viaja fazendo referência a  “psychological saturation” dos empregados. Para Greiner, os empregados destas empresas precisam passar por uma revitalização para serem estimulados.  Não acho que ele tá errado neste ponto, só acho que é apenas um dos problemas.

grafico

E o que a Apple tem a ver com isso? Tudo. De acordo com o artigo de Greiner, a Apple poderia se encaixar na fase 5, e por conta disso, corre sérios riscos. Podemos constatar esse cenário na ânsia dos investidores em novidades por parte da empresa. Tim Cook não vem conseguindo animar os ânimos de Wall Street , mesmo prometendo novos lançamentos para o fim deste ano e 2014, na vontade de encher o caixa e distribuir dividendos. O que se vê é que os investidores não estão tão confiantes assim e  após as constantes quedas do índice: price-earnings, que mede a relação entre o preço das ações e os lucros, a empresa começa a se encaixar no meu mal pressentimento : No Jobs. No Apple!

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Facebook e sua morte já marcada!

É incrível a similaridade e a quantidade de informações pessimistas a respeito da maior rede social do mundo. São previsões como “desaparecerá em 8 anos….” ou  “terá o mesmo fim que o myspace.com” !

Sei que foi exagerada a avaliação do Facebook no seu IPO, foi uma prova de que o mercado ainda guarda uma certa esperança para a companhia. É meio sem lógica! Como uma empresa como o Facebook pode valer 100 bilhões de dólares? Não há sentindo. Se a empresa no seu ultimo exercício conseguiu um lucro de “apenas” 1 bilhão. Pelo pouco que sei, deve-se adotar uma regra simples e genérica no mercado, onde a empresa é avaliada pela projeção dos próximos dez anos de lucro. Logo o Facebook deveria valer algo em torno de 10 a 11 bilhões e não 100!

Tudo  isso se deve pelo fato dos investidores acreditarem que o futuro é do Facebook, que a empresa guiará nos próximos anos as revoluções no mundo virtual. Aquela velha história da rede dentro da rede. Não ouso dizer que Zuckerberg não poderá fazer tal revolução, já que o cara é dominador e meio megalomaniaco como Jobs. Sua ambição ainda não foi possivel de ser calculada e muita coisa ainda esta por vir….

Só que a companhia já inchou e aglutinou, e após um comentário de Jeffrey Cole, nada mais nada menos do que o cara que previu a queda do myspace, as previsões já começaram. Cole afirma que com o Facebook a queda será mais lenta e o final será uma rede fragmentada!

O analista Eric Jackson, fundador da Ironfire Capital, foi mais especifico ao falar para a rede americana CNBC :“Dentro de cinco a oito anos ele vai desaparecer do mesmo jeito que o Yahoo” O analista afirmou ainda que o Facebook assim como as ultimas grandes empresas não será capaz de acompanhar a internet móvel.

Se daqui a 10 anos o Facebook estiver valendo apenas 10% do que vale hoje, será apenas o seu valor justo!

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Amazon e seu segredo não tão secreto assim…..

Foto tirada esta semana, onde Jeff Bezos aparece com Anna Wintour ,editora chefe da Vogue americana e ao lado da estilista Muccia Prada.

Sabe qual o segredo da Amazon? Venda o que todos querem comprar! É simples, e sem muita embromação. Tenha medo de coisas muito complexas. As vezes me sinto como um velho conservador, mas meu conforto vem em frases sabias como a dita nesta semana pelo velho Warren Buffett: “The chances of being way wrong in IBM are probably less, at least for us, than the chances of being way wrong in Google or Apple,”

Viu, é simples. Buffett não gosta nem um pouco do fato de colocar dinheiro em uma empresa onde ele e seu pessoal não entendem de forma global o modelo de negocio. Sei que é fácil entender o modelo de negocio da Apple, mas Buffett sabe da linha tênue que a empresa de Steve vive. Sabe que o ambiente do setor de alta tecnologia é rápido demais, perigoso demais.

Jeff Bezos que para mim é atualmente um dos maiores gênios vivos do mundo dos negócios, depois da morte de Steve Jobs, é totalmente guiado por preceitos simples como  o de Buffett. Ligar os pontos é fácil. Se o mercado de roupas na internet é o terceiro nos EUA, e a tendência é aumentar no mundo inteiro, não há o que pensar. Bezos não deixaria que tamanha oportunidade passasse em branco.

Jeff me faz lembrar daqueles filmes sci-fi como Guerra dos Mundos, onde os aliens sempre migram de planetas onde todos os recursos já foram escassos. Ele busca manter a dominância do mercado, não importando no que isso acarretará no seu atual modelo . Ainda mais quando o setor, como o da moda, lhe dá a oportunidade de uma margem de lucro muito maior que em um cd ou livro!

myhabit.com já está no ar e segundo o New York Times são tiradas mais de 3000 fotos de artigos por dia . Tudo sem muita preocupação com orçamento. Se Bezos não tá se importando com os atuais prejuízos do site, por conta dos fretes grátis e das enormes despesas é porque sabe muito bem que o negocio é um dos caminhos que levará ao futuro da Amazon. Para Bezos a compra da Zappos não foi suficiente para o tamanho e potencial do mercado da moda.

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Avon e o perigo de ignorar a realidade ! Ou a síndrome do império ?

Grandes empreendedores e líderes são enfaticos e até certo ponto repetitivos em afirmar que a realidade deve ser enfrentada, independente de quão feia ela é. Gosto especificamente de uma das frases de Jack Welch : “Encare a realidade como ela é. Não como ela foi e nem como você gostaria que ela fosse”. É simples, mas o ser humano é um bicho que na maioria das vezes deixa-se vencer pelos medos e cria esperança aonde não há.

Esperança. É essa a palavra de ordem entre os acionistas da AVON nos últimos dias, com o inicio da gestão da nova CEO  Sheri McCoy. Ex-vice presidente da  Johnson & Johnson, Sheri tem a missão de salvar a Avon, que se encontra em um cenário antes nunca visto desde a sua fundação em 1800 e cacetada.

Se você pegar uma revista da Avon e ver a quantidade de produtos, vai se dar conta de que o negocio realmente é problemático. Gandres empresas do setor mantem uma linha de produtos enxuta e de grande apelo ao público. A Natura por exmplo, desenvolve novos produtos, mas de um modo mais contido e sempre tirando de linha os antigos com pouca margem de cresimento. A Mary Kay mantem produtos em apenas 3 segmentos e todos podem ser contados nos dedos. Nessa semana ao folhear a revista exclusiva das revendedoras, vi uma colônia que minha vô usava quando eu tinha uns 10 anos. O nome dela é Cristal. Na revistinha diz que se a pessoa quiser , pode pedir para a revendedora e ela irá fazer o pedido!  Não há cabimento manter um produto com uma margem tão baixa e sem menor apelo de mercado…..

Gosto de encarar o declínio da Avon como o do Império Romano. A sua grandiosidade foi o que realmente contribuiu para a sua queda. A Avon está em dezenas de países e sempre com centenas de produtos diferentes. Quer abraçar todo o mercado porta a porta. Repudio a estratégia da mesma de querer vender outros artigos , como panelas e sapatos. A empresa perde o foco e entra na linha perigosa da margem curta. A operação fica pouco rentável com tamanha gama de artigos. 

Não a toa , em 2005 , Andrea Jung iniciou um processo de eliminação de linhas pouco rentáveis na busca de margens maiores e assim estancar a vazão que corroía todo o lucro da companhia. Não adiantou e em 2011 a Avon registrou uma queda de 5% nas vendas nos Estados Unidos. Contribuindo para um prejuízo de 241 milhões de dólares em toda a América do norte.  Junto ao mau desempenho nos últimos anos a Avon viu sua imagem centenária manchada pela investigação de SEC ( CVM ” americana”) a uma possível liberação de informações sigilosas à alguns investidores e ao suposto suborno para autoridades chinesas.

Todos no mercado apontam as ultimas evidencias como cruciais para a saída de Andrea Jung do posto de CEO. A empresa que em junho de 2004 valia cerca de 21,8 bilhões de dólares,  hoje é avaliada pelo mercado entre 8 e 12 bilhões de dólares. Tamanha queda levou a uma investida da fabricante de perfumes Coty. A companhia francesa apresentou uma proposta de “apenas” 10 bilhões de dólares pela companhia o que foi visto como ofensivo pelo conselho da Avon. Após  recusar a oferta, as ações tiveram uma pequena alta e deu inicio a muitas especulações. Na ultima sexta sai no mercado um boato de que a Natura estaria interessada em fazer uma proposta para adquirir a gigante mundial.  Tal fato foi logo descartado por Alessandro Carlucci, diretor-presidente da companhia.

Sheri McCoy terá muito trabalho pela frente, e que seu destino não seja como o do imperador Rômulo Augusto, que viu o império herdado cair em ruínas!

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Nivelando por cima!

“No prazo de duas semanas, a Amazon decidirá afinal, quando inicia sua operação de e-commerce a partir do Brasil.” Ao ler isso num artigo do site Veja.com, fiquei contente. Já que, concorrência sempre é bom…..especialmente num mercado bagunçado como o brasileiro e melhor ainda quando se fala de Amazon!

A matéria diz que a Amazon pode mudar a cara do e-commerce. É obrigação de jornalista ser pragmático a esse ponto e supor uma possível mudança no setor. Que bom que sou blogueiro! Posso me arriscar e afirmar que para mim, a mudança é mais que certa. Devemos ser realistas. Hoje temos como líder do setor uma empresa chamada Americanas! A minha mãe e as minhas avós amam as Lojas Americanas! Lá tem de tudo um pouco e sempre por um preço popular. As filas são um inconveniente à parte , mas nada que as tirem do sério. 

Agora, se você perguntar a um colega meu o que ele acha da Americanas…….Hum , você pode até se arrepender disso. Não é difícil encontrar alguém desiludido e até certo ponto revoltado com a loja online. Procure entre os seus familiares que compram pela internet e tenho a certeza que encontrará alguma história de sufoco , um verdadeiro calvário para receber apenas por aquilo que comprou.  Não por acaso a Fundação Procon esse ano determinou no dia 15 do mês passado, a retirado do ar dos sites da  companhia B2W (Americanas.com, Submarino e Shoptime). De acordo com o órgão, o número de reclamações contra as empresas do grupo tiveram um aumento de 180% entre 2010 e o ano passado! A maioria por falta de entrega dos produtos!

Por maior que sejam os gargalos de infraestrutura brasileiros e por piores que sejam as trasnportadoras do Brasil. Afirmo que a Amazon tratará com seriedade o mercado. Tá na cultura da organização. Jeff Bezos sabe do poder da maior arma do consumidor desde   os Fenícios: a propaganda boca a boca. 

A logica é simples. Me engane e te odiarei com todas as forças. Pior ainda, irei disseminar a minha raiva para todos em meu circulo de convivência. O mesmo também se dá ao contrário. Philip Kotler em seu livro “Administração de Marketing” cita os consumidores “discípulos” , que espalham a “Boa nova” após uma experiencia que superou suas expectativas. E a Amazon é expert  em superar as expectativas. Não importa quanto custará um centro de distribuição totalmente automatizado , se o mercado valer a pena , será feito. No fim de tudo, o que importa é que o mercado seja nivelado por cima.

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Mais vale um pássaro na mão do que dois voando!

Vira e mexe me deparo pensando em como o foco é importante na vida de qualquer organização. São as decisões tomadas hoje que delimitam os espaços para a empresa no amanhã. A mais de um ano venho acompanhando os resultados pífios – para dizer o mínimo- da B2W, o maior conglomerado do e-commerce brasileiro. E lhe digo uma coisa: A coisa tá PRETA. No ultimo relatório  trimestral de 2011 a companhia amargou um prejuízo de R$: 60,4 milhões .

Como muitos me perguntei: Como uma companhia com receita de R$:3 bi consegue ter prejuizo? Vasculhei o relatório e descobri que de 2010 a 2011 a B2W ,na ânsia de não perder o market share,  diminui sua margem bruta de 27,6% para 25,7%   .  Isso só deu uma leve alta nas receitas, mas, a operação continuou com a mesma taxa de despesas gerais de 2010, em aproximadamente 15%. Ora essa. Não precisa ser um bom matemático para saber que se você diminui sua margem em 1,9% ( lembrando que no varejo isso representa quase que a margem líquida) e mantem o mesmo patamar de despesas………..Hummmmmmm Acho que  deu pra entender!

Acontece que achei necessário contextualizar a situação da B2W para entra no assunto deste post. A matéria de capa da revista Época Negócios deste mês é sobre a Netshoes  e o seu crescimento espantoso. De fato, se tudo ocorrer como o previsto, a empresa fechará 2012 com uma receita de 1 bilhão de reais.  Nos ultimos 3 anos a empresa multipplicou por seis a sua receita e agora chega perto dos MAMUTES como a B2W. Fora o fato de que em 2011, graças a campanhas na TV,  a Netshoes se tornou  a loja online mais acessada do Brasil!

Não sei a sua opinião, mas creio que tudo isso mostra que o cenário já mudou e agora é a vez das .com especializadas. Não é a toa que a Amazon comprou em 2009 por US$: 1,2 BI a loja Zappos. Estamos no momento de consolidação das lojas totalmente voltadas para um mercado específico. Se quero um tênis vou para a Netshoes.com…………Se quero um perfume vou para a Sacks.com……………Se quero roupas de bebês, vou para a Babystore.com e assim como aconteceu no mercado americano, está acontecendo no nosso.

Essas empresas têm enormes vantagens se comparadas a B2W. Vantagens que não vou mencionar, pois dariam um outro post, de tão grandes e complexas que são. Termino apenas com o sábio provérbio que intitula este post: “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

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Será mesmo que PREÇO é tudo?

Quero de início avisar a todos, que andam por esse blog, que adoro perguntas. Portanto, acostumem-se com os títulos dos posts.   Aprendi com Peter Drucker que perguntas simples respondem, em muitos casos, a salvação de toda uma companhia. E a pergunta do post de hoje poderia salvar muitas das empresas de varejo no Brasil e no mundo. Afinal, preço é tudo?

Para o nosso Brasil, atualmente composto pela classe média, a resposta seria um objetivo SIM. Mas, a que custo o preço será reduzido? O que o consumidor terá de abdicar para ter acesso à produtos mais baratos? Será mesmo que o consumidor só é sensivel ao fator preço?

Acho que não. Tomarei como exemplo a estrategia global do Walmart,  maior varejista do mundo, de “Preço Baixo Todo Dia”. A ideia vem em auxilio para reacender nas subsidiarias espalhadas no mundo o jeito walmart de ser. Quem sabe um pouco da historia do fundador da rede,  Sam Walton (1918-1992) ou Tio Sam- apelido que já demostra que o cara não era fraco, sabe que a rede  se expandiu pelos Estados Unidos com uma fórmula aparentemente simples: Vender o mais barato possível e assim ganhar escala.

No livro escrito pelo próprio Walton, Made in America (1993) , do qual recomendo a leitura. Mostra que a obsessão de Walton em baixar os preços tinha uma lógica . Ele simplesmente descobriu que um produto comprado por $: 0,80 centis e sendo vendido por 1 dólar , vendia três vezes mais do que se fixasse a um preço de $: 1, 20! Ganharia mais em  lucro líquido e receita, do que se vendesse  pelo preço mais elevado. Tudo isso mantendo um giro de estoque excepcional. Veja um exemplo, dado pelo próprio Sam em seu livro, sobre como fazer uma promoção de calcinhas!

Acontece que a receita mágica não está funcionando tão bem quanto se esperava. Pelo menos é o que indica uma matéria da revista SM . Ao propor a mesma formula “Save money” dos EUA , para o Brasil, o Walmart subestimou o mercado e suas peculiaridades. Vamos as ditas:

1- Nos E.U.A e no México a rede é líder absoluto em vendas , por conta disso, consegue pressionar os fornecedores a baixarem os preços, repassando-os para o consumidor. No Brasil a rede esta em 3º lugar de acordo com a  pesquisa ABRAS/2011. Logo, por aqui,  a varejista não possui uma vantagem  de “poder de compra”, comparável a rede nos territórios americano e mexicano.

2- O consumidor brasileiro não está acostumado a esse formato. Para nós, as promoções pontuais são mais atraentes. Se queremos TUDO mais barato, vamos à um “atacarejo”!

3- O consumidor da classe média esta mais sensível a fatores que englobam toda a experiência de compra. Portanto, filas longas, ar condicionado quebrado, banheiros sujos, falta de produtos e funcionários estressados são determinantes para uma percepção ruim do ponto de venda.

O ponto 3, para mim,  é de grande importância. Como consumidor, percebi que o preço baixo na verdade esta custando caro. Muito caro. Para manter mais de 80% dos produtos abaixo da tabela, a Walmart Brasil esta enxugando a já baixíssima despesa operacional.

Procurei por toda a internet e não encontrei a taxa de despesas do Walmart, é assunto sigiloso no meio, tipo TOP SECRET. Ai você me pergunta: Mas não é uma companhia de capital aberto? Não tem que  ser transparente? Só que a transparência vem num bolo de receitas e despesas de todas as operações dos EUA e do mundo. Eles não tem nenhuma obrigação em divulgar os números da operação brasileira, e ficam até felizes por isso.  Contudo , analistas estimam que gire em torno de 17% ou 18% da receita bruta .

A questão é que, com uma despesa já apertada e não tendo poder de fogo com os fornecedores como no mercado americano. Como manter os preços mais baixos que o da concorrência?  É ai que está o “X” da questão. Sei que a gestão do walmart é cricri com despesas, só que o diretor de operações internacionais, Doug McMillon, já mandou um recado ano passado para que as operações – digo operações, pois são : Bompreço, Maxx, Big, Sam’s Club etc –  do Brasil, para que diminuam ainda mais as despesas operacionais. A coisa tá em niveis espartanos. E como consumidor posso responder que : O serviço deixa muito a desejar!

Mesmo sendo a melhor em preço nos EUA, lá a rede mantem as lojas em estado impecável de limpeza e organização. Claro que não há luxos , mas o consumidor não sentirá de forma tão impactante os problemas de se ter uma operação com despesas tão baixas. Sou uma pessoa que acredita na racionalização dos recursos de uma organização. Contudo, a organização nunca deve colocar os cortes em despesas acima dos clientes.

Se a estratégia funcionará no Brasil? Só Deus sabe! Acho que  num futuro próximo a rede derramará mais dinheiro aqui e a coisa tome outras proporções . Fora o fato de que não dá pra manter uma heterogeneidade de bandeiras numa operação tão grande quanto a brasileira. O meu recado para o presidente da Walmart Brasil, Marcos Samaha é um só: ” Quero preço baixo, mas com um serviço digno.”

“Clientes podem demitir todos de uma empresa, do alto executivo para baixo, simplesmente gastando seu dinheiro em algum outro lugar.” Samuel Walton. Ele também disse isso. Lembram?

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O que a Kodak poderia ter aprendido com Charles Darwin ?

O naturalista britanico Charles Darwin em seu mais conhecido livro “A origem das espécies” -1859, dedica todo um capitulo ao que ele chamava de “A seleção natural ou a seleção do mais capaz”. É simplesmente um presente para cientistas do mundo inteiro. Entretanto, a obra de Darwin, para mim, não é apenas de serventia para os estudiosos das ciências biológicas. É também uma rica obra para estudiosos das ciências sociais e econômicas.

Ao saber do pedido de falência da Kodak em 20 de Janeiro deste ano, fiquei com isso martelando em minha cabeça. Como a teoria de Darwin poderia cair tão bem ? Como no mundo ‘social’ as interações se formam de modo semelhante as interações da natureza? É incrível tamanha semelhança.

Todos os analistas são unanimes em afirmar que a falência da Kodak foi consequencia do seu nariz impinado para a inovação e as novas necessidades do mercado. O mundo gira e todos querem um produto que realmente atenda as suas necessidades. Mas, ao contrario do que a escola do Marketing esnina, a companhia teimou em se manter num sistema falho e antigo, apenas para não ver seus lucros cairem.

A seleção natural imposta a Kodak já foi respondida pelos pesquisadores  T. Burns e G.M. Stalker. Em 1950, Burns e Stalker analisaram diversas empresas e constataram uma grande influencia do ambiente externo na gestão das mesmas. A partir desse ponto de vista dividiram as empresas em dois grupos de organizações: organizações mecanicistas e organizações orgânicas. Assim como Darwin, os estudiosos descobriram que organizações mecanicistas, onde a inovação não é bem vista , só sobrevivem em ambientes estáveis e de pouca inovação. Podemos dizer que o ambiente de 1880- ano de fundação da Kodak, era muito propicio para organizações mecanicistas. O desafio se iniciou na aproximação do ano 2000, quando a Kodak teimou em se manter num sistema onde não mais era compatível com a ambiente instável e totalmente revolucionário que é o das fotos digitais. 

Desde 1888, George Eastman com sua Kodak, cresceu ao propor para o mundo uma tecnologia onde a unica coisa que você tinha que fazer era tirar fotos e a Kodak imprimia e mandava em sua casa pelos correios. Era incrível. O slogan era: “Você aperta o botão e nós fazemos o resto”  Era um negocio onde a margem de lucro operacional na unidades de filmes representava 15% no final da década de 90.

Em 1975, a Kodak cria a sua primeira máquina digital. Não é surpresa para ninguém que a “primeira” estivesse  na vanguarda da criação de produtos inovadores . A surpresa veio em manter o produto trancado na inocente esperança de manter o mercado em suas mãos. O perigo de empresas como a velha Kodak é entrar na zona de conforto e subestimar o mercado e os concorrentes.

Queda no preço das ações a partir dos anos 2000. Fonte: The Economist 

A necessidade de imagens de alta qualidade disponíveis para o grande publico junto com a necessidade da trocas de fotos na rede, fizeram com que a  Sony, Fujifilm , Canon e outras buscassem a tecnologia digital. Só em 1996 foi lançada a primeira máquina digital Kodak.

É ai que podemos ver o ponto de transição. Charles Darwin afirma em sua teoria, que seres semelhantes em diferentes ambientes geográficos, tendem a evoluir em diferentes direções. Kodak e Fujifilm eram bastante semelhantes, uma dominava o mercado americano e outra dominava o mercado japonês. Só que, Fujifilm acostumada ao ambiente de mudança japonês, levou a serio o cenário e em 1980 deu inicio a difícil tarefa rejeitada pela Kodak: Preparar uma transição para o mercado digital e novas linhas de negócios.

Não sei o que acontece com os americanos! O ambiente é sempre propicio em criar empresas grandes e pesadas, que não progridem com o passar do tempo. Exemplos não faltam: GM, Ford, Anheuser-Busch, American Airlines……………. Há sempre um limite e há quem diga que o Google já chegou no seu limite.

Comparações à parte, o ambiente é sempre muito cruel, não existe a possibilidade de manter no mercado empresas ineficientes e que se recusam inovar. De fato, Darwin foi – porque não dizer-  um grande especialista na Teoria Contigêncial.

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