Arquivo mensal: abril 2012

3º Revolução Industrial. Eu já estou pronto!

Acho engraçado como as coisas mudam e como tudo nos últimos anos parece estar retrocedendo, só que de uma forma mais racional e melhorada. Digo isso porque sou uma pessoa, digamos, meio chata! Assumo. Gosto das coisas do meu jeito. De opinar sobre tudo, do layout do supermercado até a tampa de uma garrafa pet de refrigerante. Quando encontro um produto que me surpreende e facilita a minha vida eu chego a me arrepiar!

De fato o mundo esta mais “maleável” . Tudo, ou quase tudo pode ser inventado e nós consumidores, queremos sempre o melhor. Queremos tudo do nosso jeito e tenha a certeza de que num universo de 7 bilhões de pessoas, é bem provável que outros também queiram o que você quer!  Welcome to the third industrial revolution.

A reportagem de capa da revista The Economist desta semana ( clique aqui para lê-la ) fala sobre esse fantástico mundo da digitalização dos produtos. É meio bizarro, mas imagine que num futuro não muito distante, você poderá criar um modelo em 3D de um produto, imprimi-lo e até vender o projeto, que poderá ser baixado e impresso do mesmo jeito que você fez.

Quase 20 mil unidades vendidas em apenas 155 dias!

De acordo com a reportagem a personalização da manufatura criará um movimento de dispersão da indústria, de modo que não mais será necessário comprarmos quase tudo da China. Como muitas fábricas não dependerão mais de mão de obra em grande escala e barata, estarão localizadas próximas aos centros de consumo.  Especialistas em determinados produtos terão sua produção na garagem de casa. Algo que remete ao periodo pré Revolução Industrial, onde os artesãos em suas casas faziam as encomendas.

A reportagem fala da conversão das tecnologias para o avanço da produção sob medida. Os materiais estão mais resistentes e baratos. A mão de obra pouco especializada é que irá ser prejudicada. O artigo afirma que as pessoas serão empregadas mais na área de criação e tenta não enxergar as consequencias dessa revolução. Para mim não é nada viável manter 15 mil pessoas apenas no P&D de uma empresa! Não quero entrar nesse assunto. São muitas as consequências desta terceira revolução .

The economist foca apenas na manufatura, porém, a meu ver a revolução é num patamar maior. É numa ideia de como satisfazer as necessidades humanas. Olhando por esse ângulo, o que vemos é uma mudança não só na indústria e sim em todos os setores. Acontece que na indústria está sendo a ultima e de fato a que irá consolidar tal movimento. Lembro-me de um artigo na exame que falava sobre medicamentos criados especificamente para um determinado DNA! No supermercado será possível comprar um shampoo que melhor combine com a carga genética especifica do nosso cabelo. Sei que é futurista demais, mas a ideia é essa.

O inventor Jake Zien já ganhou $273,014.20. Apenas 1 mês para desenvolver o produto!

Outro ponto que o artigo não mencionou e que para mim é de extrema importância é o fato de finalmente a inteligencia coletiva ser canalizada para o aperfeiçoamento dos inúmeros produtos que usamos. É como diz aquele velho ditado: “Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo”! Lembro da patente que uma dona de casa teve ao criar um escorredor de arroz. Ela ganhou um belo dinheiro por algum tempo com os royalties. Não devemos subestimar a capacidade de resolver problemas de ninguém. Nem mesmo de uma dona de casa.

Em Nova Iorque já existe uma empresa chamada Quirky, que desenvolve produtos com base  na aceitação dos protótipos na rede social da empresa. Você cria um produto ou a ideia do mesmo e manda para avaliação da comunidade. Se a ideia for aprovada, ela passa para a chamada fase “séria” do processo. Nessa fase entram os engenheiros, designers , publicitários e assim, após as vendas o criador ganha uma parte pelo número de produtos vendidos. Veja abaixo um vídeo legal da Quirky!

Que fábrica na China poderia colocar no mercado uma capa para o novo Ipad em 4 dias? A Shapeways fez isso. Que venham as impressoras em 3D , a laser e o escambau . Como consumidor, já estou pronto!

Por coincidência hoje vi no site da fastcompany uma máquina que fabrica peças de chocolates em 3D . HUMMM!

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Unimed Maceió: entre vidas e custos!

Meu plano não é Unimed e quero dizer, antes de começar o post, que não se trata de nenhuma queixa pessoal. Mesmo podendo usar este espaço para tal , acho que o que vale é a lição que podemos tirar do brutal sistema capitalista e suas aberrações.

Esta semana vi que o Ministério Público Federal em Alagoas ingressou com uma ação civil pública contra a cooperativa Unimed Maceió. Pasmem. Isso foi necessário, pois, a cooperativa estava determinando quotas anuais de exame especiais e até procedimentos imprescindíveis como a radioterapia são negados sem uma justificativa plausível. Indo de encontro as recomendações dos próprios médicos conveniados.

Conheço dezenas de amigos que reclamam da prestação de serviços da Unimed. A péssima fama que o convênio criou é de espantar. Pagar altas mensalidades e esperar por horas é fonte de revolta . Que a cooperativa em Alagoas nunca passou por bons momentos financeiros é do conhecimento de todos. E de 2010 para a cá, com o movimento da Unimed Nacional de garantir alta rentabilidade e maior profissionalização, percebe-se que a os valores “operacionais” e empresariais estão se sobrepondo aos direitos dos consumidores.

“Toda essa restrição baseia-se tão somente em critérios operacionais, que são provavelmente guiados por um senso egoístico e distorcido de economicidade, onde a saúde, que deveria galgar patamar de destaque, cede espaço pela busca do lucro exacerbado.”  Niedja Kaspary – Procuradora da República /MPF- AL

Não quero julgar a Unimed, pois apenas imagino a complexidade de manter um sistema tão grande e complexo como este. Sei que a Unimed tem seus deveres para com os médicos , fornecedores, enfermeiros. Entretanto, será que  negar uma sessão de radioterapia é necessária para manter uma rentabilidade aceitável? Será que os custos estão acima da vida?

A racionalização deve ser o norte de qualquer instituição séria. Antes de números a organização deve ter noção da responsabilidade que lhe foi atribuída. Para mim, colocar as vidas das pessoas em primeiro lugar é uma opção mais que racional, especialmente para a Unimed!

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Avon e o perigo de ignorar a realidade ! Ou a síndrome do império ?

Grandes empreendedores e líderes são enfaticos e até certo ponto repetitivos em afirmar que a realidade deve ser enfrentada, independente de quão feia ela é. Gosto especificamente de uma das frases de Jack Welch : “Encare a realidade como ela é. Não como ela foi e nem como você gostaria que ela fosse”. É simples, mas o ser humano é um bicho que na maioria das vezes deixa-se vencer pelos medos e cria esperança aonde não há.

Esperança. É essa a palavra de ordem entre os acionistas da AVON nos últimos dias, com o inicio da gestão da nova CEO  Sheri McCoy. Ex-vice presidente da  Johnson & Johnson, Sheri tem a missão de salvar a Avon, que se encontra em um cenário antes nunca visto desde a sua fundação em 1800 e cacetada.

Se você pegar uma revista da Avon e ver a quantidade de produtos, vai se dar conta de que o negocio realmente é problemático. Gandres empresas do setor mantem uma linha de produtos enxuta e de grande apelo ao público. A Natura por exmplo, desenvolve novos produtos, mas de um modo mais contido e sempre tirando de linha os antigos com pouca margem de cresimento. A Mary Kay mantem produtos em apenas 3 segmentos e todos podem ser contados nos dedos. Nessa semana ao folhear a revista exclusiva das revendedoras, vi uma colônia que minha vô usava quando eu tinha uns 10 anos. O nome dela é Cristal. Na revistinha diz que se a pessoa quiser , pode pedir para a revendedora e ela irá fazer o pedido!  Não há cabimento manter um produto com uma margem tão baixa e sem menor apelo de mercado…..

Gosto de encarar o declínio da Avon como o do Império Romano. A sua grandiosidade foi o que realmente contribuiu para a sua queda. A Avon está em dezenas de países e sempre com centenas de produtos diferentes. Quer abraçar todo o mercado porta a porta. Repudio a estratégia da mesma de querer vender outros artigos , como panelas e sapatos. A empresa perde o foco e entra na linha perigosa da margem curta. A operação fica pouco rentável com tamanha gama de artigos. 

Não a toa , em 2005 , Andrea Jung iniciou um processo de eliminação de linhas pouco rentáveis na busca de margens maiores e assim estancar a vazão que corroía todo o lucro da companhia. Não adiantou e em 2011 a Avon registrou uma queda de 5% nas vendas nos Estados Unidos. Contribuindo para um prejuízo de 241 milhões de dólares em toda a América do norte.  Junto ao mau desempenho nos últimos anos a Avon viu sua imagem centenária manchada pela investigação de SEC ( CVM ” americana”) a uma possível liberação de informações sigilosas à alguns investidores e ao suposto suborno para autoridades chinesas.

Todos no mercado apontam as ultimas evidencias como cruciais para a saída de Andrea Jung do posto de CEO. A empresa que em junho de 2004 valia cerca de 21,8 bilhões de dólares,  hoje é avaliada pelo mercado entre 8 e 12 bilhões de dólares. Tamanha queda levou a uma investida da fabricante de perfumes Coty. A companhia francesa apresentou uma proposta de “apenas” 10 bilhões de dólares pela companhia o que foi visto como ofensivo pelo conselho da Avon. Após  recusar a oferta, as ações tiveram uma pequena alta e deu inicio a muitas especulações. Na ultima sexta sai no mercado um boato de que a Natura estaria interessada em fazer uma proposta para adquirir a gigante mundial.  Tal fato foi logo descartado por Alessandro Carlucci, diretor-presidente da companhia.

Sheri McCoy terá muito trabalho pela frente, e que seu destino não seja como o do imperador Rômulo Augusto, que viu o império herdado cair em ruínas!

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Nivelando por cima!

“No prazo de duas semanas, a Amazon decidirá afinal, quando inicia sua operação de e-commerce a partir do Brasil.” Ao ler isso num artigo do site Veja.com, fiquei contente. Já que, concorrência sempre é bom…..especialmente num mercado bagunçado como o brasileiro e melhor ainda quando se fala de Amazon!

A matéria diz que a Amazon pode mudar a cara do e-commerce. É obrigação de jornalista ser pragmático a esse ponto e supor uma possível mudança no setor. Que bom que sou blogueiro! Posso me arriscar e afirmar que para mim, a mudança é mais que certa. Devemos ser realistas. Hoje temos como líder do setor uma empresa chamada Americanas! A minha mãe e as minhas avós amam as Lojas Americanas! Lá tem de tudo um pouco e sempre por um preço popular. As filas são um inconveniente à parte , mas nada que as tirem do sério. 

Agora, se você perguntar a um colega meu o que ele acha da Americanas…….Hum , você pode até se arrepender disso. Não é difícil encontrar alguém desiludido e até certo ponto revoltado com a loja online. Procure entre os seus familiares que compram pela internet e tenho a certeza que encontrará alguma história de sufoco , um verdadeiro calvário para receber apenas por aquilo que comprou.  Não por acaso a Fundação Procon esse ano determinou no dia 15 do mês passado, a retirado do ar dos sites da  companhia B2W (Americanas.com, Submarino e Shoptime). De acordo com o órgão, o número de reclamações contra as empresas do grupo tiveram um aumento de 180% entre 2010 e o ano passado! A maioria por falta de entrega dos produtos!

Por maior que sejam os gargalos de infraestrutura brasileiros e por piores que sejam as trasnportadoras do Brasil. Afirmo que a Amazon tratará com seriedade o mercado. Tá na cultura da organização. Jeff Bezos sabe do poder da maior arma do consumidor desde   os Fenícios: a propaganda boca a boca. 

A logica é simples. Me engane e te odiarei com todas as forças. Pior ainda, irei disseminar a minha raiva para todos em meu circulo de convivência. O mesmo também se dá ao contrário. Philip Kotler em seu livro “Administração de Marketing” cita os consumidores “discípulos” , que espalham a “Boa nova” após uma experiencia que superou suas expectativas. E a Amazon é expert  em superar as expectativas. Não importa quanto custará um centro de distribuição totalmente automatizado , se o mercado valer a pena , será feito. No fim de tudo, o que importa é que o mercado seja nivelado por cima.

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