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Danone subestima o poder do Crowdsourcing !

As organizações nunca mais serão as mesmas depois das redes sociais. Disso todos temos a absoluta certeza. O poder de disseminar opiniões e botar a boca no trombone ganhou dimensões, que dependendo do apelo, podem rodar o mundo e futucar na ferida aberta de qualquer empresa.

Porém, o lado bom sempre existe, e as informações dos consumidores de qualquer lugar no mundo podem revolucionar um setor. Bem vindo ao maravilhoso mundo do Crowdsourcing. O termo vem da junção das palavras inglesas crowd ( multidão) e source (fonte). Logo, é a utilização da chamada inteligencia coletiva, para a resolução de um problema ou a criação de um novo produto. O termo se tornou popular após uma matéria da famosa revista americana Wired em 2006 com o titulo “The Rise of Crowdsourcing”  escrita pelo jornalista Jeff  Howe.

De lá para cá, muita coisa mudou, e a ideia de ter uma contribuição coletiva para a resolução de problemas é algo sem volta. Se você estiver lendo este post em um navegador Firefox, deve saber que o mesmo foi construído com o auxilio de programadores de todo o mundo. Produtos criados com base no modelo crowdsoursing tendem a serem bem aceitos e sempre estão em constante atualização. Quem nunca deu uma olhadinha no Wikipedia? Quem nunca ouviu falar nos carros da Fiat que foram criados a partir de sugestões? Nas ações promocionais para a escolha do novo sabor de Fanta ou das batatas Ruffles?

Já existem até sites especializados em divulgar os chamados “desafios”. ( No brasil o mais famoso é o battleofconcepts.com.br e no mundo o mais famoso é o  site innocentive.com) Onde as empresas interessadas em novas ideias , resoluções de problemas e até a cura de doenças, divulgam em tais sites os tais “desafios” e as melhores ideias são premiadas em dinheiro ou mesmo com um emprego .

A starbucks ao ver a necessidade de um canal que seja muito mais eficiente do que aquela velha e repugnante caixa de sugestões , criou em março de 2008 o mystarbucksidea.com. No seu primeiro ano de funcionamento chegou a receber mais de 75 mil sugestões para as suas lojas e produtos. No  ambiente o consumidor não só pode mandar uma sugestão como votar nas que considera as melhores. Uma das grandes ideias implementadas através do site foi o Starbucks Vip Card….o nome já diz tudo.

Contudo, hoje fiquei um pouco espantado. Diante de uma abertura tão grande das empresas ao movimento crowdsoursing, fiquei sem entender como o consumidor e suas opiniões são tão subestimados. Em 2010, a Danone lançou uma edição limitada do Danette Ovomaltine e só depois de muitos pedidos pela internet foi que a empresa reformulou a sobremesa  incrementando os famosos flocos do Ovomaltine.

HÃ? Como assim? Foram necessários 2 anos para lançar algo que eu e meio mundo de gente também quer disponível agora? Acho que a empresa deve ter a noção de que dois anos são mais do que suficientes para que num cenário hipotético uma Nestlé da vida criasse o que realmente os consumidores querem! Fica uma lição. Não subestimar o poder da multidão…..

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Apple e o mito da pesquisa de mercado.

No ranking anual de inovação da revista americana FastCompany, divulgado esta semana, nenhuma surpresa. A Apple ficou com o merecido primeiro lugar. Todos sabem que a cultura pró-inovação criada por Jobs é atualmente perseguida por vários CEOs  no mundo inteiro. E que a companhia busca constantemente entregar ao mercado produtos que “mudem o mundo”. Só que estou cansado de ver por ai que Steve não fazia pesquisa de mercado. Mesmo o próprio afirmando isso, não quer dizer que isso nunca aconteceu no processo de criação de qualquer produto Apple.

Jobs sempre deixou claro que criava produtos para ele mesmo. Ele era uma espécie de “O CLIENTE Nº: 1”. Sua paixão pela tecnologia e designer transformaram-no numa espécie de cliente altamente racional e que sabia o que queria. Ao conhecer os processos por trás dos códigos e gabinetes de cpu, Jobs conseguia extrair ao limite  o que a tecnologia poderia servi-lo.

“Achamos que zilhões de Macs serão vendidos. Mas não criamos o Mac para outras pessoas. Nós o construímos para nós mesmos. Éramos o grupo que julgaria se o Mac era grandioso ou não. Não faríamos nenhuma pesquisa de mercado. Só queríamos fazer o melhor que pudéssemos.”

Playboy, fevereiro de 1985

“Para uma coisa tão complicada, é realmente difícil conceber produtos com base em estudos do tipo ‘focus groups’. Muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem até que mostremos a elas.”

Business Week, maio de 1998

Na primeira frase, Jobs afirma que ele próprio fazia parte de um grupo de jugamento do Mac! Ora essa, se você for dar uma olhadinha na Wikipédia sobre  Focus group  encontrará tal conceito:

“Focus Group ou em português “discussões de grupo” é uma técnica utilizada na pesquisa de mercado qualitativa, na qual se emprega a discussão moderada de entre 8 e 12 participantes. Discussões de grupo costumam durar entre uma hora e meia e duas horas e devem ser coordenadas por um moderador experimentado. O moderador é também o facilitador da sessão, pois para além de regular a sessão dentro dos seus moldes, vai também ajudar o grupo a interagir.”

Fiz questão de grifar o moderador experiente. Se Steve Jobs não foi um moderador experiente eu simplesmente não sei quem poderia ser! Na verdade Jobs na maioria das vezes sempre fez pesquisa de mercado e não se deu conta. Para ele, pesquisa de mercado era só aquela chatice que custava dezenas de dólares para escutar consumidores que na verdade não entendem nada de tecnologia e que só querem o produto pronto, melhor e mais barato. O segredo – quem sabe – em fazer uma boa pesquisa de mercado, esteja na qualidade das informações e das pessoas envolvidas. Não há duvidas, que um grupo de discussão escolhido a dedo por Jobs, era capacitado. Né?

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