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3º Revolução Industrial. Eu já estou pronto!

Acho engraçado como as coisas mudam e como tudo nos últimos anos parece estar retrocedendo, só que de uma forma mais racional e melhorada. Digo isso porque sou uma pessoa, digamos, meio chata! Assumo. Gosto das coisas do meu jeito. De opinar sobre tudo, do layout do supermercado até a tampa de uma garrafa pet de refrigerante. Quando encontro um produto que me surpreende e facilita a minha vida eu chego a me arrepiar!

De fato o mundo esta mais “maleável” . Tudo, ou quase tudo pode ser inventado e nós consumidores, queremos sempre o melhor. Queremos tudo do nosso jeito e tenha a certeza de que num universo de 7 bilhões de pessoas, é bem provável que outros também queiram o que você quer!  Welcome to the third industrial revolution.

A reportagem de capa da revista The Economist desta semana ( clique aqui para lê-la ) fala sobre esse fantástico mundo da digitalização dos produtos. É meio bizarro, mas imagine que num futuro não muito distante, você poderá criar um modelo em 3D de um produto, imprimi-lo e até vender o projeto, que poderá ser baixado e impresso do mesmo jeito que você fez.

Quase 20 mil unidades vendidas em apenas 155 dias!

De acordo com a reportagem a personalização da manufatura criará um movimento de dispersão da indústria, de modo que não mais será necessário comprarmos quase tudo da China. Como muitas fábricas não dependerão mais de mão de obra em grande escala e barata, estarão localizadas próximas aos centros de consumo.  Especialistas em determinados produtos terão sua produção na garagem de casa. Algo que remete ao periodo pré Revolução Industrial, onde os artesãos em suas casas faziam as encomendas.

A reportagem fala da conversão das tecnologias para o avanço da produção sob medida. Os materiais estão mais resistentes e baratos. A mão de obra pouco especializada é que irá ser prejudicada. O artigo afirma que as pessoas serão empregadas mais na área de criação e tenta não enxergar as consequencias dessa revolução. Para mim não é nada viável manter 15 mil pessoas apenas no P&D de uma empresa! Não quero entrar nesse assunto. São muitas as consequências desta terceira revolução .

The economist foca apenas na manufatura, porém, a meu ver a revolução é num patamar maior. É numa ideia de como satisfazer as necessidades humanas. Olhando por esse ângulo, o que vemos é uma mudança não só na indústria e sim em todos os setores. Acontece que na indústria está sendo a ultima e de fato a que irá consolidar tal movimento. Lembro-me de um artigo na exame que falava sobre medicamentos criados especificamente para um determinado DNA! No supermercado será possível comprar um shampoo que melhor combine com a carga genética especifica do nosso cabelo. Sei que é futurista demais, mas a ideia é essa.

O inventor Jake Zien já ganhou $273,014.20. Apenas 1 mês para desenvolver o produto!

Outro ponto que o artigo não mencionou e que para mim é de extrema importância é o fato de finalmente a inteligencia coletiva ser canalizada para o aperfeiçoamento dos inúmeros produtos que usamos. É como diz aquele velho ditado: “Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo”! Lembro da patente que uma dona de casa teve ao criar um escorredor de arroz. Ela ganhou um belo dinheiro por algum tempo com os royalties. Não devemos subestimar a capacidade de resolver problemas de ninguém. Nem mesmo de uma dona de casa.

Em Nova Iorque já existe uma empresa chamada Quirky, que desenvolve produtos com base  na aceitação dos protótipos na rede social da empresa. Você cria um produto ou a ideia do mesmo e manda para avaliação da comunidade. Se a ideia for aprovada, ela passa para a chamada fase “séria” do processo. Nessa fase entram os engenheiros, designers , publicitários e assim, após as vendas o criador ganha uma parte pelo número de produtos vendidos. Veja abaixo um vídeo legal da Quirky!

Que fábrica na China poderia colocar no mercado uma capa para o novo Ipad em 4 dias? A Shapeways fez isso. Que venham as impressoras em 3D , a laser e o escambau . Como consumidor, já estou pronto!

Por coincidência hoje vi no site da fastcompany uma máquina que fabrica peças de chocolates em 3D . HUMMM!

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The Economist prova que ninguém sabe de nada!

                       O mundo vive um momento de grandes incertezas. Nunca antes na historia da economia moderna – parafraseando Lula – o capitalismo se viu obrigado a ceder tanto espaço para o estado. De fato, foi o liberalismo e a ” mão invisível” de Adam Smith que deu um belo de um empurrão nas crises de 1847, 1929 e 2008 . E os únicos sobreviventes da ultima  foram os Brics.  Sabe-se que esses países aguentaram a crise por terem uma economia, no mínimo, atrelada ao estado. O que não se sabe é até que ponto seria saudável para a economia  um estado forte.

A revista The Economist  de janeiro traz na capa a figura de Lênin,  politizando de modo impar, o modelo econômico adotado pelos grandes emergentes atualmente. (veja em “The rise of state capitalism“)

Analisando de forma um pouco distorcida o poder dos fundos soberanos de investimento e o perigo que o setor privado corre ao concorrer com fundos que administram mais recursos que o PIB de muitos países. Alerta sobre o perigo do estado em focar seus recursos em poucas empresas, para que estas ganhem mercado no mundo. Para a revista, estas empresas seriam grandes elefantes que sabem fazer o básico e não irão sobreviver num cenário onde a inovação é primordial. Além de ser uma injustiça para as dezenas de outras empresas de capital 100% privado. The Economist convida os governos a tirar as “muletas” dessas empresas de capital misto.

A fúria da revista é uma síntese do que pensa os grandes lideres do ocidente. Ninguém aguenta mais as intervenções chinesas em sua moeda. Contra isso, o Brasil iniciou um processo semelhante, que como o The Economist mesmo lembra é diferente em cada economia, especialmente  numa democracia como é o caso do Brasil. O que parece é que o estado se vê obrigado a injetar dinheiro em empresas que são promessas no cenário internacional. Se a China faz, o Brasil não vai ficar de braços cruzados esperando as multinacionais chinesas desembarcarem aqui.

Entretanto, as antigas economias não veem com bons olhos a ideia de  abrir mão do “liberalismo”. Entre os fatores para a rejeição do modelo adotado nos emergentes , está o fato de que nessas nações a economia há anos vive de certo modo respirando sozinha e outro fato e a falta de musculatura econômica destes países em barrar ou ao menos concorrer com as suas companhias  nacionais . Estados Unidos e Europa não dispõem do luxo de gastarem suas reservas soberanas em companhias nacionais .  A briga vai ser feia!

A revista tenta mostrar o quanto é perigoso esse modelo e teima em usar a expressão bolchevique “capitalismo de estado”.  Em outro artigo da revista intitulado “Fallin in love again with the state”  publicado em 2010, fica claro o medo dos ingleses nas declarações de Dilma em adotar uma politica de intervenção do estado no setor privado através do BNDES ou ressuscitando estatais como a Telebrás. No inicio, as declarações da revista parecem  exageradas, mas, a quantidade de intervenção na economia brasileira, por meio de planos como , isenção do IPI, ICMS e outros me dá um pouco de medo, já que somente as “sortudas” são beneficiadas. Fica difícil para os pensadores do velho capitalismo veem um mundo não mais liberal. Um mundo onde o estado – por motivos de segurança econômica e bem estar social, se vê obrigado a intervir diretamente em setores nunca antes entregues a responsabilidade do mesmo.

Nesse raciocínio de capitalismo de estado apontado pela revista o modelo chinês seria o grande exemplo a ser seguido pelos grandes emergentes. Só de pensar nisso já me dar calafrios. Colocar no mesmo saco o Brasil, acho que já é um pouco demais. O que se sabe é que o neoliberalismo já está ameaçado. O estado está mais forte . Será que pode existir o meio termo?

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