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O que a rede americana de restaurantes Chipotle pode ensinar a Maria Brigadeiro?

Eu amo ler os relatos da Juliana Motter no Blog do Empreendedor, que faz parte do conteúdo para PME do site Estadão. Juliana, é jornalista por formação, mas resolveu abandonar tudo para criar a sua empresa exclusiva na confecção e vendas de brigadeiros gourmet. Graças a ela podemos ver esse upgrade nos brigadeiros de qualquer buffet aqui das redondezas. Faça o teste! Veja como a empresa conseguiu identificar uma oportunidade em algo tão simples.

Juliana Motter

Voltando ao assunto. Gosto dos post da Juliana, pois ela escreve com o compromisso de passar aquilo que realmente sente, vive… Não é conversa fiada, daquelas em que o sujeito se envereda nos jargões dos “profissionais em empreender” ! Aqueles sujeitos que amam aparecer em convenções para explicar como se tornou o maioral. Tenho asco dessa espécie de gente que só afaga o próprio ego. As aventuras de Juliana é uma fonte riquíssima para mim, apenas pelo fato de me deparar com  relatos do seu cotidiano e dos seus desafios.

Já tem algum tempo que vejo a relutância  da Juliana em expandir o seu negócio. Imagino a pressão. Ela diz receber centenas de e-mails todos os dias, de gente disposta a pagar caro para abrir uma espécie de franquia da Maria Brigadeiro. No inicio achei a relutância válida e racional. Não dá para sair por ai abrindo lojas de brigadeiro. Especialmente de um produto diferenciado como o ofertado por ela. Onde ficaria questões cruciais do negócio como a qualidade?  Não é para qualquer um fazer brigadeiros de chocolate belga Callebaut!

Entretanto, no seu ultimo post, intitulado : Quero ser grande? Juliana começa – no meu ponto de vista- a blefar com a sorte e o mercado. Ela de um certo modo desabafa e reflete sobre os motivos que a levam a querer permanecer com uma empresa pequena. Suas opiniões sobre as razões de um empreendedor passional são válidas. Contudo, onde fica o cliente?  Onde ficará o seu cliente  podre de rico que mora no Rio e que queria ter a simples comodidade de comprar brigadeiros by Maria Brigadeiro no Leblon? Campos do Jordão? Brasília?

Dar certo também é trabalhoso! Manter a essência que culminou no sucesso da empresa é ainda mais trabalhoso. Mas Juliana sabe que não tem outra. Terá que abrir mais lojas se quiser permanecer de pé. Vendo este interessante caso lembro-me  de outro bastante semelhante e que seria uma boa lição para Maria Brigadeiro. Trata-se da maior rede de comida mexicana do mundo: Chipotle.

Steve Ells, fundador da rede Chipotle.

O case Chipotle tem muito a ensinar, pois a empresa foi fundada por Steve Ells, um chef recém formado na  Culinary Institute of America. Logo a preocupação de Steve na qualidade sempre foi o maior trunfo da rede . Ao contrário de Juliana, Steve não titubeou em abrir novos pontos de venda. Sua preocupação com a qualidade transformou a Chipotle no restaurante fast casual. Foi a primeira rede de comida rápida que conseguiu adicionar qualidade à comodidade. Seus produtos são orgânicos, tudo é baseado no slogan da empresa: ” Food with integrity” . Steve ainda  mantem o habito de visitar as fazendas que criam os porcos. Porcos que serão as carnitas nos burritos da América.

Não é fácil, mas não é impossível! Crescer com a  manutenção de qualidade não pode ser visto como impossível. Steve fez a Chipotle crescer e não perdeu o seu amor pelo negócio.  Eu gosto de crer que Juliana na verdade não se sente preparada para isso. Seu sonho inicial não era ter a maior rede de brigadeiros gourmet do mundo, mas o mercado é assim mesmo. Ela poda sua pequena lojinha como um jardineiro japonês poda um bonsai.  Se Juliana não entender o mercado e não confrontar com a realidade, poderá terminar como as casas de quesadilla que inspiraram Steve. Estas casas vendem uma autêntica comida mexicana, mas quantas ainda existem em San Francisco ?

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