O que a Kodak poderia ter aprendido com Charles Darwin ?

O naturalista britanico Charles Darwin em seu mais conhecido livro “A origem das espécies” -1859, dedica todo um capitulo ao que ele chamava de “A seleção natural ou a seleção do mais capaz”. É simplesmente um presente para cientistas do mundo inteiro. Entretanto, a obra de Darwin, para mim, não é apenas de serventia para os estudiosos das ciências biológicas. É também uma rica obra para estudiosos das ciências sociais e econômicas.

Ao saber do pedido de falência da Kodak em 20 de Janeiro deste ano, fiquei com isso martelando em minha cabeça. Como a teoria de Darwin poderia cair tão bem ? Como no mundo ‘social’ as interações se formam de modo semelhante as interações da natureza? É incrível tamanha semelhança.

Todos os analistas são unanimes em afirmar que a falência da Kodak foi consequencia do seu nariz impinado para a inovação e as novas necessidades do mercado. O mundo gira e todos querem um produto que realmente atenda as suas necessidades. Mas, ao contrario do que a escola do Marketing esnina, a companhia teimou em se manter num sistema falho e antigo, apenas para não ver seus lucros cairem.

A seleção natural imposta a Kodak já foi respondida pelos pesquisadores  T. Burns e G.M. Stalker. Em 1950, Burns e Stalker analisaram diversas empresas e constataram uma grande influencia do ambiente externo na gestão das mesmas. A partir desse ponto de vista dividiram as empresas em dois grupos de organizações: organizações mecanicistas e organizações orgânicas. Assim como Darwin, os estudiosos descobriram que organizações mecanicistas, onde a inovação não é bem vista , só sobrevivem em ambientes estáveis e de pouca inovação. Podemos dizer que o ambiente de 1880- ano de fundação da Kodak, era muito propicio para organizações mecanicistas. O desafio se iniciou na aproximação do ano 2000, quando a Kodak teimou em se manter num sistema onde não mais era compatível com a ambiente instável e totalmente revolucionário que é o das fotos digitais. 

Desde 1888, George Eastman com sua Kodak, cresceu ao propor para o mundo uma tecnologia onde a unica coisa que você tinha que fazer era tirar fotos e a Kodak imprimia e mandava em sua casa pelos correios. Era incrível. O slogan era: “Você aperta o botão e nós fazemos o resto”  Era um negocio onde a margem de lucro operacional na unidades de filmes representava 15% no final da década de 90.

Em 1975, a Kodak cria a sua primeira máquina digital. Não é surpresa para ninguém que a “primeira” estivesse  na vanguarda da criação de produtos inovadores . A surpresa veio em manter o produto trancado na inocente esperança de manter o mercado em suas mãos. O perigo de empresas como a velha Kodak é entrar na zona de conforto e subestimar o mercado e os concorrentes.

Queda no preço das ações a partir dos anos 2000. Fonte: The Economist 

A necessidade de imagens de alta qualidade disponíveis para o grande publico junto com a necessidade da trocas de fotos na rede, fizeram com que a  Sony, Fujifilm , Canon e outras buscassem a tecnologia digital. Só em 1996 foi lançada a primeira máquina digital Kodak.

É ai que podemos ver o ponto de transição. Charles Darwin afirma em sua teoria, que seres semelhantes em diferentes ambientes geográficos, tendem a evoluir em diferentes direções. Kodak e Fujifilm eram bastante semelhantes, uma dominava o mercado americano e outra dominava o mercado japonês. Só que, Fujifilm acostumada ao ambiente de mudança japonês, levou a serio o cenário e em 1980 deu inicio a difícil tarefa rejeitada pela Kodak: Preparar uma transição para o mercado digital e novas linhas de negócios.

Não sei o que acontece com os americanos! O ambiente é sempre propicio em criar empresas grandes e pesadas, que não progridem com o passar do tempo. Exemplos não faltam: GM, Ford, Anheuser-Busch, American Airlines……………. Há sempre um limite e há quem diga que o Google já chegou no seu limite.

Comparações à parte, o ambiente é sempre muito cruel, não existe a possibilidade de manter no mercado empresas ineficientes e que se recusam inovar. De fato, Darwin foi – porque não dizer-  um grande especialista na Teoria Contigêncial.

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3 pensamentos sobre “O que a Kodak poderia ter aprendido com Charles Darwin ?

  1. Lu Santa Rita disse:

    Ulisses,

    Fantástico a analogia! Não e apenas um caso de miopia em marketing, mas de burrice ou mesmo de ostracismo. Quem pensaria que a Kodak seria a tão anti-disrupitiva? Parabéns! Beijos

  2. Helder disse:

    excelente texto Ulysses.

    Confesso que fiquei triste pelo pedido de falência da Kodak, pois ao ver esta marca também me lembrava de vários momentos da minha vida registrados e revelados pela marca kodak. Porém como vc mesmo lembrou, em um ambiente de constantes mudanças é mais do que preciso evoluir e se adaptar. Com toda esta tecnologia que liga continentes pensava-se q a kodak iria aproveitar e expandir sua marca para diferentes mercados já que as linhas comercias se tornaram mais extensas e abertas a negociações, no entanto o que se viu foi uma empresa pacata e sem iniciativa para expandir, construir novidades, se adaptar as novas necessidades dos clientes e evoluir para um ambiente macroeconômico em que a velocidade das ideias vão tão rápido quanto o clique de uma foto.

  3. Géssyca disse:

    Gostei muito das suas ponderações, Ulisses. Estou agora no 5º Período de Administração e já ví e ouví falar muito desse tema em sala. Eu, particularmente, gosto dessa análise contingencial que se mostra cada dia mais dominante, principalmente em um meio empresarial tão oscilante e competitivo. É realmente uma pena que uma gigante como a Kodak não tenha tido a ousadia de inovar e o entendimento da teoria de Darwin que se mostra cada dia mais atual. Parabéns!

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